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Bicampeonato Histórico: Itália, A Terceira Campeã Mundial e Primeira Bicampeã (1938)

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Bicampeonato Histórico: Itália, A Terceira Campeã Mundial e Primeira Bicampeã (1938)

Quatro anos após a glória em casa, a Itália realizou um feito inédito na história do futebol: se sagrou bicampeã mundial consecutiva na Copa do Mundo de 1938, realizada na França. Com uma performance dominante e um estilo de jogo físico e taticamente evoluído, a Azzurra se consolidou como a primeira grande dinastia do torneio e a terceira nação a ser campeã da Copa do Mundo FIFA.

A edição de 1938 aconteceu sob a sombra da iminente Segunda Guerra Mundial e foi marcada por ausências importantes (o Uruguai, campeão de 1930, novamente não participou). A pressão política era ainda maior do que em 1934, mas o técnico Vittorio Pozzo conseguiu isolar sua equipe e focar no objetivo de defender a taça.

O Contexto de Tensão e o Respeito ao “Método”

A Copa de 1938 na França foi a última antes de um longo hiato de 12 anos causado pela guerra. A Itália, ainda sob o regime fascista de Benito Mussolini, via a vitória como uma extensão de sua ideologia.

O técnico Vittorio Pozzo (o único técnico bicampeão mundial na história) manteve a base tática vencedora de 1934. O “Método” (Metodo), com sua defesa forte e contra-ataques velozes, foi refinado. A grande estrela emergente daquele time era Giuseppe Meazza, que já era um veterano em 1938 e o líder técnico e emocional da equipe.

A Trajetória Rumo ao Bi: Mata-Mata Impiedoso

Assim como em 1934, o formato de 1938 era de mata-mata puro (8ªs, 4ªs, 4ªs e final). O caminho da Itália foi árduo, enfrentando confrontos de grande rivalidade e exigência física.

1. Oitavas de Final: A Batalha dos Alpinos

A estreia foi contra a forte Noruega, em um jogo que a Itália precisou de prorrogação para vencer. O empate em 1 a 1 no tempo normal gerou preocupação, mas o gol decisivo de Piola na prorrogação garantiu o avanço e serviu de teste para a resistência física do time.

DataConfrontoPlacar
05/06/1938Itália x Noruega2 – 1 (p.r.)

2. Quartas de Final: O Clássico Político (Itália x França)

O confronto das quartas contra a França, a anfitriã do torneio, foi o mais carregado politicamente. A torcida francesa estava fervorosa, mas a Itália deu uma demonstração de força, vencendo o jogo por 3 a 1.

  • O Uniforme Polêmico: Em um ato de desafio e obediência ao regime, a Itália jogou com seu uniforme totalmente preto (cor associada ao fascismo), em vez do tradicional azul. A vitória sobre a anfitriã, sob forte pressão, foi um sinal claro de que o título não sairia fácil.

3. Semifinal: O Passeio Contra o Brasil (Histórico)

Na semifinal, a Itália encontrou o Brasil, que era um dos grandes favoritos e praticava um futebol vistoso e ofensivo. O técnico brasileiro, Ademar Pimenta, cometeu o erro estratégico de poupar o artilheiro Leônidas da Silva (o “Diamante Negro”), acreditando que o time venceria facilmente e que Leônidas estaria fresco para a final.

DataConfrontoPlacarArtilheiros
16/06/1938Itália x Brasil2 – 1Colaussi e Meazza (pênalti)

A Itália não perdoou a arrogância brasileira. Com gols de Colaussi e Meazza (em um pênalti controverso), a Azzurra venceu por 2 a 1, eliminando um dos grandes candidatos e garantindo a vaga na final.

4. A Grande Final: A Consagração do Bi

A final, no dia 19 de junho de 1938, foi disputada em Paris entre Itália e Hungria.

O jogo foi um espetáculo de gols. A Itália abriu o placar logo aos 6 minutos com Colaussi. A Hungria empatou dois minutos depois. A partir daí, a Azzurra demonstrou sua superioridade ofensiva, fechando o primeiro tempo com 3 a 1. A partida terminou 4 a 2 para a Itália.

O placar final garantiu que a Itália se tornasse a primeira e única seleção a conquistar o bicampeonato consecutivo no futebol masculino, um feito que a colocou definitivamente entre as grandes potências do futebol mundial.

Curiosidades da Conquista Italiana

  • O Bilhete de Mussolini: Segundo relatos, antes da final, os jogadores italianos receberam um telegrama de Mussolini com apenas três palavras: “Vencer ou Morrer!” O capitão Giuseppe Meazza disse que a ordem era para vencer, não para morrer, mas o peso da obrigação política era imenso.
  • O Goleiro Inusitado: O goleiro da Hungria, Antal Szabó, brincou após o jogo: “Eu permiti quatro gols, mas salvei as vidas de 11 homens”, referindo-se à fúria de Mussolini caso a Itália perdesse.
  • O Bicefálico: O técnico Vittorio Pozzo se tornou o único homem na história a ser bicampeão consecutivo da Copa do Mundo, um recorde que permanece inigualável até hoje.

A vitória de 1938 não apenas deu à Itália seu segundo título, mas também consolidou a Copa do Mundo como um evento de grande significado político e esportivo global.

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