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O Início da Lenda: Brasil, O Sexto Campeão Mundial e a Geração de Ouro (1958)

sexto campeão mundial de futebol

O Início da Lenda: Brasil, O Sexto Campeão Mundial e a Geração de Ouro (1958)

Após o trauma do Maracanazo em 1950 e a decepção de 1954, o Brasil chegou à Copa do Mundo de 1958, na Suécia, com uma missão tripla: superar os fantasmas do passado, provar que o “futebol arte” era eficiente e, finalmente, se consagrar como o sexto campeão mundial de futebol. O que aconteceu na Escandinávia foi mais do que uma vitória; foi o nascimento de uma dinastia e a revelação de dois dos maiores gênios do esporte: Pelé e Garrincha.

A conquista da Taça Jules Rimet em 1958, sob o comando do técnico Vicente Feola, marcou o fim da hegemonia Europa/Uruguai e o início do domínio brasileiro, apresentando ao mundo um novo paradigma de futebol: alegre, ofensivo e eficiente.

O Contexto de 1958: Inovação e Pressão

O Brasil vinha de uma profunda reestruturação após o fracasso de 1954. A CBF (na época CBD) implementou uma comissão técnica multidisciplinar e um trabalho inédito de preparação física e psicológica. Além disso, a Seleção Brasileira introduziu uma inovação tática que mudaria o futebol: o esquema 4-2-4, com o ataque aberto e o meio-campo móvel, aproveitando a velocidade de seus pontas.

O maior desafio, no entanto, foi a gestão do elenco, que contava com o jovem e desconhecido Pelé, de apenas 17 anos, e o gênio imprevisível Garrincha. Ambos não começaram como titulares, mas suas entradas seriam cruciais.

A Trajetória Impecável: Invicto e Avassalador

O Brasil foi sorteado no Grupo D e passou pela fase de grupos sem derrotas, mas com um jogo de pouca inspiração.

1. Fase de Grupos: O Início da Transição

DataConfrontoPlacarDestaque
08/06/1958Brasil x Áustria3 – 0Vitória segura com gols de Mazzola e Nilton Santos.
11/06/1958Brasil x Inglaterra0 – 0O primeiro e único 0 a 0 da história das Copas.
15/06/1958Brasil x União Soviética2 – 0A entrada de Pelé e Garrincha muda o time.

  • A Virada Tática: Após o empate sem gols com a Inglaterra, os líderes do elenco e o técnico Feola decidiram escalar Pelé e Garrincha contra a União Soviética (uma das favoritas). O “teste” durou apenas os primeiros três minutos, com Garrincha fazendo uma jogada lendária na lateral e o Brasil definindo o jogo.

2. Quartas e Semifinal: A Consagração do Rei

A partir do mata-mata, o Brasil não apenas venceu, mas convenceu, transformando-se em uma máquina de gols.

  • Quartas de Final (Brasil 1 x 0 País de Gales): Pelé marcou seu primeiro gol em Copas do Mundo, um toque genial que entrou para a história e garantiu a vitória.
  • Semifinal (Brasil 5 x 2 França): Em uma performance avassaladora, a Seleção goleou a forte França. Pelé foi o protagonista absoluto, marcando um hat-trick (três gols) em menos de 23 minutos e se tornando uma estrela global.

3. A Grande Final: A Obra-Prima Brasileira

A final, em 29 de junho de 1958, foi disputada na casa do adversário, no Estádio Råsunda, em Estocolmo, contra a anfitriã Suécia.

O jogo começou com um susto. A Suécia abriu o placar aos 4 minutos. Contudo, a reação brasileira foi imediata: Vavá empatou aos 9 e virou aos 32. O segundo tempo foi um show, com o Brasil garantindo a vitória com gols de Zagallo e dois de Pelé, incluindo o gol mais famoso da final, com um chapéu na área e uma finalização de voleio.

O placar de 5 a 2 garantiu que o Brasil se tornasse o sexto campeão mundial de futebol, o primeiro a vencer fora do seu continente e o único a conquistar o título na Europa.

Curiosidades da Primeira Estrela

  • O Goleiro Sem Luvas: Pelé chorou ao final da partida e foi consolado pelo goleiro sueco Kalle Svensson. A vitória deu ao Brasil sua primeira taça.
  • O Capitão e a Taça: O capitão Hilderaldo Bellini inovou na forma de erguer o troféu Jules Rimet, levantando-o sobre a cabeça para que os fotógrafos pudessem capturar melhor o momento, um gesto que se tornou tradição.
  • O Mais Jovem: Pelé se tornou o jogador mais jovem a marcar em uma final de Copa do Mundo (17 anos e 249 dias), um recorde que permanece até hoje.

A conquista de 1958 não foi apenas uma vitória, mas a fundação da mística da camisa amarela no futebol mundial.

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