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Lances Polêmicos e Decisões Controversas: Os Maiores Erros de Arbitragem da História do Futebol

Erros de arbitragem da história do futebol

Lances Polêmicos e Decisões Controversas: Os Maiores Erros de Arbitragem da História do Futebol

O futebol, com sua paixão e imprevisibilidade, é um esporte de erros — cometidos pelos jogadores, treinadores e, inevitavelmente, pelos árbitros. Enquanto alguns equívocos passam despercebidos, outros se tornam lendários, mudando o destino de jogos cruciais, campeonatos inteiros e, por vezes, a história do futebol. 

A busca pela justiça no campo é eterna, e a chegada do VAR é uma resposta a esses momentos de falha humana que deixaram cicatrizes profundas nos corações de torcedores e nas estatísticas.

A seguir, revisitamos alguns dos maiores erros de arbitragem da história do futebol mundial, lances que se transformaram em polêmica e entraram para o folclore do esporte.

A “Mão de Deus” e a Vingança de Maradona (Copa do Mundo de 1986)

Nenhum erro de arbitragem é mais icônico ou carregado de simbolismo do que o primeiro gol de Diego Maradona contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986. O lance ocorreu aos seis minutos do segundo tempo. Maradona subiu para disputar a bola com o goleiro inglês Peter Shilton e, de forma clara, usou a mão para empurrar a bola para o gol.

O árbitro tunisiano Ali Bin Nasser e seu auxiliar não viram o toque. A Argentina abriu o placar e, na sequência, Maradona marcou o gol mais bonito da história das Copas. O erro não só ajudou a eliminar a Inglaterra, um país que estava em conflito político com a Argentina (Guerra das Malvinas), mas também imortalizou a frase de Maradona: “Foi um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a Mão de Deus“. A falta de visão dos árbitros naquele momento mudou a história do torneio, que terminou com o título da Argentina.

O Gol Fantasma de Hurst (Copa do Mundo de 1966)

Em uma final de Copa do Mundo, a pressão sobre o árbitro é imensa. Na decisão de 1966, entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, no Estádio de Wembley, um lance polêmico na prorrogação se tornou o divisor de águas. O placar estava empatado em 2 a 2 quando Geoff Hurst chutou forte, a bola bateu no travessão e quicou no chão.

O juiz Gottfried Dienst (Suíça) estava em dúvida e consultou seu bandeirinha soviético, Tofik Bakhramov. Bakhramov sinalizou que a bola havia cruzado a linha, validando o gol. No entanto, replays e análises posteriores sugeriram que a bola não havia entrado completamente. O gol, conhecido como o “Gol Fantasma”, desmoralizou a Alemanha, que acabou perdendo por 4 a 2. A decisão deu à Inglaterra seu único título mundial e até hoje é um dos lances mais discutidos na história.

A Exclusão de um Campeão: O Caso Lampard (Copa do Mundo de 2010)

Quarenta e quatro anos depois do “Gol Fantasma”, a história deu uma volta irônica, e a Inglaterra foi a vítima de um erro crucial. Nas oitavas de final da Copa de 2010, contra a Alemanha, a Inglaterra perdia por 2 a 1 quando Frank Lampard arriscou um chute de fora da área. A bola bateu no travessão, quicou claramente dentro do gol e voltou para o campo.

O árbitro uruguaio Jorge Larrionda não viu que a bola havia cruzado a linha e mandou o jogo seguir. Se o gol tivesse sido validado, o placar estaria 2 a 2, com a Inglaterra em ascensão. Em vez disso, a Alemanha se recuperou, dominou a partida e venceu por 4 a 1. Este erro, amplamente televisionado, foi um dos catalisadores mais importantes para a implementação da tecnologia da linha do gol (Goal-Line Technology) e, posteriormente, do VAR.

O Impedimento que Matou a Itália (Copa do Mundo de 2002)

A Copa do Mundo de 2002 foi marcada por diversas controvérsias de arbitragem, especialmente nos jogos envolvendo a Coreia do Sul, uma das nações anfitriãs. O maior escândalo ocorreu nas oitavas de final, no jogo entre Coreia do Sul e Itália.

O atacante italiano Damiano Tommasi marcou um gol de ouro que teria encerrado a partida na prorrogação. Contudo, o árbitro equatoriano Byron Moreno, em uma decisão absurdamente questionável, anulou o gol por um suposto impedimento inexistente. 

A Itália, desmoralizada, acabou sofrendo o gol da eliminação momentos depois. A atuação de Moreno foi tão controversa — incluindo a expulsão polêmica de Francesco Totti — que ele foi posteriormente suspenso pela FIFA. Este é considerado um dos maiores erros que prejudicaram uma seleção favorita ao título.

O Pênalti Inexistente de Ovrebo (Champions League 2009)

Os erros de arbitragem não se limitam às Copas. Na semifinal da Liga dos Campeões de 2009, entre Chelsea e Barcelona, o árbitro norueguês Tom Henning Ovrebo teve uma atuação desastrosa que gerou revolta e acusações de favorecimento.

O Chelsea teve pelo menos quatro pedidos claros de pênalti negados ao longo da partida. O mais flagrante foi um toque na mão do zagueiro Gerard Piqué dentro da área, ignorado por Ovrebo. O jogo terminou 1 a 1, e o gol de empate do Barcelona, marcado por Andrés Iniesta nos acréscimos, garantiu a classificação do time espanhol, que viria a ser campeão. 

Após o jogo, a fúria dos jogadores do Chelsea, especialmente a de Didier Drogba, que gritou para as câmeras, se tornou um símbolo de como os erros de arbitragem podem roubar a glória de uma equipe.

A Revolução do VAR e o Fim da Controvérsia?

A recorrência desses erros históricos, especialmente em jogos de mata-mata, forçou o futebol a abraçar a tecnologia. A introdução do VAR (Árbitro Assistente de Vídeo) em 2018 foi uma resposta direta à memória de gols fantasmas e impedimentos mal marcados.

Embora o VAR tenha corrigido muitos dos erros óbvios que vimos no passado, ele não eliminou completamente a controvérsia. A linha tênue entre o erro factual (que a tecnologia corrige) e o erro de interpretação (que permanece humano) continua a gerar debates acalorados. 

No entanto, a certeza é que a história do futebol, que foi escrita em parte por falhas humanas, agora está sendo reescrita com um olhar mais atento da tecnologia, na esperança de que os erros mais graves fiquem apenas nas páginas dos livros e na memória.

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